|
|
COLÔNIA DO SACRAMENTO
CECILIA GASPAR
MOREIRA
Candidata ao Curso de
MESTRADO - Turma 2006 - PROURB - FAU/UFRJ
1.- Tema:
FUNDAÇÃO E DESENVOLVIMENTO URBANO DA COLÔNIA DO SACRAMENTO ENQUANTO
COLÔNIA - PORTUGUESA - 1680/1777
O tema de dissertação pretendido é o estudo da evolução urbana da cidade
histórica fortificada de Colônia do Sacramento
durante o período que vai da sua fundação, em 1680, até a expulsão final
dos luso-brasileiros pelos espanhóis em 1777, quando era o grande centro
comercial e de contrabando Rio Platense. A intenção é, inclusive,
trabalhar com um estudo prévio dos motivos que levaram a Coroa Portuguesa
a fundar uma colônia no Rio da Prata.
A dissertação do tema pretende se
concentrar no estudo da escolha do local de fundação, do traçado militar
de fortificação proposto e de sua adaptação ao terreno e à topografia
existente - às componentes eruditas e vernáculas que caracterizam as
cidades de origem portuguesas - no estudo do desenvolvimento deste núcleo
urbano, tanto dentro como fora das muralhas fortificadas. A Colônia do
Sacramento, nos seus quase 100 anos de existência, sofreu inúmeras
invasões e tomadas da praça pelos castelhanos, muitas vezes com grande
parte da sua estrutura urbana destruída e conseqüentemente reconstruída
quando recuperada pelos portugueses, até a expulsão final dos seus
habitantes no ápice do seu desenvolvimento urbano, cultural e comercial.
Cabe finalmente destacar que a preservação até os dias de hoje de grande
parte do conjunto urbano e arquitetônico, denominado "Barrio Histórico" -
que mereceu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco em
1994 - se deve ao fato de ter ficado praticamente abandonado - ou
sub-ocupada - por muito tempo, tendo a atual cidade de Colônia, no
Uruguai, se desenvolvido nos terrenos vizinhos.
2.- Revisão Bibliográfica:
2.1.-
Aspectos Históricos da Fundação e Evolução da Forma Urbana da Colônia do
Sacramento:
Os primeiros registros históricos
de ações concretas dos interesses lusitanos na região do Rio da Prata data
dos anos de 1530/1531, quando os navegadores portugueses, atraídos pelas
notícias das riquezas encontradas e escoados pelo rio, realizam a primeira
demarcação. A expedição instalou padrões na margem esquerda ou norte do
Rio da Prata com a intenção de assegurar essas terras para a coroa
portuguesa. Portugal e a Espanha estavam sempre na disputa dos seus
limites territoriais, causada em grande parte pelas múltiplas
interpretações que se permitia fazer do Tratado de Tordesilhas. A Coroa
Espanhola responde à essa expedição realizando outra encabeçada por Pedro
de Mendonza resultando na primeira fundação de Buenos Aires em 1536.
Seguiram-se outras expedições castelhanas pela região no caminho de Potosí,
fundando algumas cidades nos anos seguintes, como Assunção, que
estrategicamente se localizou impedindo o acesso dos portugueses às minas
de prata do alto Peru ao mesmo tempo em que desde ali coordenavam ataques
às cidades portuguesas na costa do Brasil com a intenção de unir o
Paraguai ao Atlântico.(Possamai, 2004)
Exatamente 100 anos após a refundação da cidade de Buenos Aires, a poucos
quilômetros do local original, dentro de uma política espanhola de
garantir a dominação do Estuário do Prata constantemente ameaçada pelos
estrangeiros, principalmente portugueses, ingleses e franceses, a Coroa
Portuguesa, com o apoio da Capitania do Rio de Janeiro e alguns dos seus
comerciantes, fundam em janeiro de 1680 a Nova Colônia do Santíssimo
Sacramento. O núcleo português foi estrategicamente localizado exatamente
em frente à cidade espanhola, do lado oposto do Rio da Prata no atual
território uruguaio, a poucos quilômetros do encontro dos rios Paraná e
Uruguai. As duas cidades conformam o que Prado (2003) chama de "Complexo
Portuário Rio Plantense".
As minas de prata de Potosí
(Império Inca) se encontravam a apenas dois meses ou 1.900 km de
distância, escoando pelos rios da região que desembocavam no Rio da Prata,
comparados aos quatro meses ou 2.200 km de Lima pelas rotas das montanhas.
Apesar dessas facilidades a favor de Buenos Aires, o grande poder político
de Lima na época fez com que a partir da primeira metade do século XVII
esta fosse impedida pela coroa espanhola de ser a rota oficial do comércio
da prata, assim como de exportar para ao Brasil sua própria produção de
couros e graças animais. A coroa espanhola centralizou suas operações
mercantis em três portos na América: Vera Cruz (México), Nombre de Dios
(Panamá) e Cartagena (Colômbia) com o objetivo de controlar suas riquezas.
Estas restrições comerciais impostas pela coroa de Castela tornaram
proibitivos os preços dos produtos demandados nas colônias, além de frear
o desenvolvimento dessas regiões. (Morris, 1979)
A solução encontrada pelos habitantes de Buenos Aires e pelos portugueses
ali residentes nesse inicio do século XVII foi o comércio ilícito. O
contrabando se concentrou no estuário do Prata gerando um enorme fluxo de
transações comerciais que traziam desde os portos brasileiros,
principalmente Salvador e Rio de Janeiro, mercadorias contrabandeadas para
Buenos Aires voltando com a prata de Potosí. Este comércio também
enriqueceu muitos comerciantes cariocas, não só pela venda de seus
produtos, mas também ajudados pela alta valorização do metal no câmbio
local.
Buenos Aires se desenvolve
bastante nesse período, quando o contrabando passa a gerar, junto com a
venda dos seus produtos pecuários, as principais rendas da cidade e nessa
rota comercial estavam envolvidas todas as esferas da sociedade, desde os
simples comerciantes até governadores e ordens religiosas, principalmente
jesuítas.
Os comerciantes contrabandistas portugueses dominavam o comércio ilícito
facilitados pelo controle dos portos brasileiros e a facilidade de
obtenção de escravos nas suas feitorias africanas para as minas de Potosí.
A prata também foi importantíssima para os portugueses na sua
comercialização com a China, mas a partir de 1640 (ano da restauração da
independência de Portugal e da divisão das duas coroas), os portugueses
que compunham um quarto da população da cidade, começaram a sofrer
restrições e a perder os direitos adquiridos e muitas vezes comprados
(nesta época era lícita a compra de cargos públicos que entregava poder
político nas decisões locais) por parte das autoridades locais e com
ordens da coroa espanhola. Muitos lusitanos acabam sendo expulsos de
Buenos Aires, mas apesar de todas as restrições e facilitados pelo simples
controle das autoridades locais, geralmente corrompíveis pelo contrabando,
os portugueses nunca deixaram de realizar o comércio no estuário da
Prata. Prado (2003) fala da "autoridade negociada". Apesar disso, o que
deve ter sido a principal causa da fundação da Colônia do Sacramento foi
as incertezas do comércio com Buenos Aires sempre à mercê da personalidade
e honestidade do governador da vez.
Na segunda metade do século XVII,
Portugal, por sua vez, se encontrava em péssimas condições econômicas
devido aos anos da guerra da Restauração (1640/1668), a perda do comércio
com o oriente para os Holandeses, que surgem como nova potência marítima,
as dívidas com os paises estrangeiros que o ajudaram na independência e o
início da produção açucareira nas Antilhas, derrubando o preço mundial do
açúcar gerador de grandes divisas para a coroa portuguesa. Assim o
comércio no Rio da Prata ressurge com grande interesse dos portugueses na
sua política de desenvolver as potencialidades econômicas da colônia
americana.
Uma das soluções lusitanas encontradas, mas não levada a cabo, foi a
invasão de Buenos Aires e a construção de uma fortificação em suas
proximidades ao mesmo tempo em que a conquista de Assunção para evitar o
envio de reforços espanhóis. É nessa época que começam a surgir alguns
povoamentos na região até agora desocupada, que vai de São Vicente ao Rio
da Prata, Paranaguá em 1648, São Francisco do Sul em 1658 e Curitiba em
1668, e na década seguinte Dias Velho requer uma sesmaria na Ilha de Santa
Catarina. Outro povoamento que surge é Laguna por Brito Peixoto.
Paralelamente a cidade do Rio de Janeiro se viu enormemente afetada pela
diminuição do comércio com Buenos Aires e começa um movimento de
requerimento do seu restabelecimento, ao mesmo tempo em que habitantes da
mesma Buenos Aires, possivelmente portugueses, solicitam a fundação de uma
colônia portuguesa nas proximidades da cidade. Na década de 1670 o Rei de
Portugal ordena ao Governador do Rio, Silva e Souza, que fosse ao Prata
para fortificar um dos portos que lhe parecesse mais apto para assegurar o
comércio com Buenos Aires: Maldonado, Montevidéu ou as Ilhas de São
Gabriel. Porém tal expedição não foi realizada. Por outro lado, a bula da
igreja católica de 1576 determinava que a diocese do Rio de Janeiro tinha
como limite sul o Rio da Prata, confirmada pela criação do bispado do Rio
em 22 de novembro de 1672, legitimando a vontade luso-brasileira de
ocupação do Rio da Prata.
Após algumas excursões fracassadas, em janeiro de 1680, finalmente a
expedição comandada por Manuel Lobo chega ao local escolhido, uma
península arenosa emoldurada por pedras, mais alta do que os territórios
vizinhos, protegida por um escudo de ilhas, localizada a 250 km das bocas
do grande estuário, a 100 Km da desembocadura do rio Uruguai e a 40Km de
Buenos Aires. A esquadra portuguesa trazia 500 homens do Rio de Janeiro,
ancorando primeiro na ilha de São Gabriel, depois cruzando a terra firme
para a construção da cidade fortificada de Nova Colônia do Sacramento
sobre os planos do engenheiro militar fortificador Antônio Correa Pinto,
português. Mas nesse mesmo ano é invadida pelos castelhanos comandados
pelo governador de Buenos Aires e devolvida aos portugueses em 1683, que
ali permanecem até nova invasão em 1705. Nesse primeiro período de
desenvolvimento, Colônia é mais um reduto militar administrado por um
governador com posto militar, do que um núcleo urbano livre. É habitada
por soldados levados à força e sem famílias, presidiários em troca do
perdão, vagabundos, comerciantes, militares em geral e algumas mulheres.
Mas é a partir da segunda devolução da praça pelos espanhóis, em 1715 -
Tratado de Ultrecht, que Colônia se desenvolve como cidade e grande centro
comercial, apesar das limitações impostas pelo citado tratado, que além de
restringir o número da população, delimita o seu território a uma
distância alcançada por um tiro de canhão disparado dos muros da cidade.
Porém o tratado não é respeitado e em 1718, começa a política de
colonização com a chegada das primeiras 60 família de colonos portugueses
à região gerando com isso o começo do seu crescimento urbano inclusive
para fora dos muros da pequena fortificação original.
Sua localização estratégica lhe permitia controlar a entrada e saída dos
navios do estuário e dos rios Uruguai e Paraná, controlando assim todo o
tráfego comercial, o que conjuntamente com o aumento da sua população faz
com que Colônia cresça num ritmo ascendente que só irá terminar com a
tomada definitiva e semi-destruição da mesma em 1777 pelos espanhóis, no
ápice do seu desenvolvimento. Apesar das invasões de 1735 a 1737 e de
1762 a 1763. A cidade de Colônia de Sacramento torna-se um importante
centro comercial e portuário, que além das atividades de contrabando de
mercadorias em geral para o abastecimento de Buenos Aires, a conexão com
os portos brasileiros, e da prata de Potosí, torna-se também centro
comercial de couros e gados, vacuns e cavalar (selvagem originário das
reduções jesuítas), com a instalação de benfeitorias de couro.
2.2.- Análise do traçado urbano da Colônia do Sacramento:
A cidade de Colônia é um bom
exemplo do modo lusitano de pensar e de fazer cidades naquela época,
mostrando a preocupação de marcar e de valorizar arquitetônica e
urbanisticamente as particularidades topográficas do lugar, mesmo se
tratando, como foi o caso, de um desenho militar de fortificação - que
deveria estar de acordo as idéias renascentistas - respondendo às
necessidades militares.
A
aparente desordem da cidade portuguesa era efetivamente regida por
princípios que, embora não codificados num conjunto explícito de regras,
eram parte de uma rica tradição urbana que encarnava a estrutura do
território como uma componente do traçado urbano. (REVISTA Urbanismo de
Origem Portuguesa, 2000: s.p.)
A cidade de Colônia surge com uma componente erudita forte que é a
construção da fortaleza com as plantas do engenheiro militar Antonio
Corrêa Pinto. Porém, como toda cidade portuguesa ou de origem portuguesa,
foi implantada num local topograficamente dominante - uma península - e
por isso adaptado a ele (local). Uma das características importantes dos
sistemas de fortificações portuguesas era a configuração de uma linha
poligonal irregular que resultava da sua adaptação ao terreno.
A cidade cresce posteriormente com uma componente vernácula, sendo a
fortificação o elemento principal deste crescimento e determinante do seu
traçado, além do rio, dos caminhos para os campos abastecedores e
posteriormente dos limites impostos pelo cerco dos castelhanos. A
primitiva fortaleza de São Gabriel se tornou à cidade de um núcleo urbano
fortificado, com um único portão de acesso desde o continente sobre o poço
de proteção. Além disso, a cidade tinha como proteção natural às águas do
rio pelos lados norte, oeste e sul, e as muralhas fortificadas com
baluartes do lado leste, ocupando uma península elevada no único trecho de
pedras de toda a margem do estuário. Devido à topografia do local suas
ruas caem naturalmente ao rio. O centro urbano intra-muros era constituído
por 33 quarteirões, 26 ruas, 5 passagens e cerca de 250 construções
(muitas atualmente em ruínas) no interior do qual se desenvolveu uma praça
de armas de grandes dimensões que depois se tornou a principal
praça urbana.
Muitos arquitetos/engenheiros portugueses ou estrangeiros prestaram
serviço à Coroa Portuguesa e também à espanhola para a formação de
Sacramento, em diferentes épocas. Entre os mais destacados estão José
Custódio de Sá e Faria, o já citado Antônio Corrêa Pinto e o francês Jean
Howell ou Havelle, este último a mando da Espanha durante um dos períodos
de domínio da Casa de Castela.
Ouso, a partir do material
que foi possível levantar até o momento, fazer algumas especulações
preliminares. Observando as plantas de várias épocas da cidade, é possível
afirmar que a Colônia do Sacramento é a resultante tão tipicamente
presente nas cidades e vilas de origem portuguesa, da mistura de um
traçado erudito, planejado, no caso a fortificação, e de componentes
vernáculos dentro destas muralhas. O traçado interno parece ter sido
adaptado às necessidades que foram surgindo durante o seu desenvolvimento
urbano. Nas eternas destruições - por vezes executadas pelos próprios
portugueses antes do abandono - e reconstruções da cidade. A componente
vernácula pode ter sido originada pela ausência circunstancial do
engenheiro militar da cidade, à distância da corte portuguesa, como também
ao Rio de Janeiro, e às urgências de tempo nas retomadas da praça pelos
luso-portugueses. É importante também observar as próprias necessidades de
subsistência e os meios por vezes escassos. Marcada também pelo fato de
mesmo não sendo uma ilha, Colônia estava ilhada, seja pelo rio, seja pelo
enorme território inóspito que a circundava.
Observando os mapas e
plantas de várias épocas da Colônia do Sacramento (em anexo) se pode
realizar um ensaio da evolução urbana da cidade. As plantas mais antigas
consultadas datam de 1737 e 1748 onde observamos o desenho da fortaleza
original com quatro lados centrais e quatro pontas poligonais nos seu
vértice. Um dos lados da fortaleza - lado leste - é parte integrante da
muralha de proteção da praça, onde podemos constatar que as pontas
poligonais se transformam em dois baluartes. Sendo um deles o da
Bandeira. Em ambas plantas também se pode ver a muralha poligonal que
cruza a península de norte a sul com outros dois baluartes em seus
extremos sobre a margem do rio. Nas duas pontas ribeirinhas da península,
existem mais dois trechos de muralhas. São os baluartes de Santa Rita e
São Pedro de Alcântara. A planta de 1737 (planta 1) desenhada pelo Frei
Estevão do Loreto Joassar mostra o traçado de uma nova fortificação, maior
que a original, e adjacente à mesma, fora dos muros fortificados. A data é
coincidente com uma das retomadas da praça pelos portugueses. A planta de
1748 (planta 2) é de autoria do Cavaleiro da Coroa e Alferes do Batalhão
da Praça, Silvestre Ferreira da Silva, sendo uma planta militar onde estão
desenhados somente os elementos ou construções militares existentes na
época.
Ao
comparar as duas plantas podemos supor que a nova fortaleza desenhada pelo
Frei Joassar não foi construída, apesar de se observar na planta militar
de 1748 o desenho de uma linha simples marcando o perímetro da base do
suposto projeto não concluído.
Ao analisar a planta da cidade de
1753 (planta 3) elaborada pelo engenheiro militar José Custódio de Sá e
Faria, vemos que as paredes internas da primeira fortificação acima
descrita já não existem. Observamos em seu lugar a conformação de
quarteirões poligonais. A partir do confronto desta planta com as mais
antigas, é possível especular que se trata da adaptação das novas
construções sobre as ruínas das construções antigas provavelmente
destruídas nas batalhas antecedentes. Outra especulação sobre este novo
traçado observado é de se tratar da própria evolução urbana da Colônia do
Sacramento que ao crescer e se expandir acaba incorporando a antiga
fortaleza a cidade.
As plantas posteriores
datam da 1762, 1776 e 1777 (plantas 4, 5 e 6), tendo sido as de 1762 e de
1777 elaboradas pelos espanhóis. Ambas durante os períodos de domínio da
Espanha, tendo grande importância à de 1777 por se tratar do último ano da
ocupação portuguesa. O que pode significar ser a testemunha do ponto mais
elevado da evolução urbana que alcançou a cidade enquanto colônia
portuguesa.
As três plantas acima
citadas mostram a cidade de Colônia já bastante consolidada no seu
território intra-muros. Podemos observar a grande praça - originalmente de
armas - outras praças menores, o Palácio do governo, a Igreja Matriz, o
Trem da Alfândega, o Colégio da Companhia, a Capela de Santa Rita, os
moinhos de vento e as casas habitacionais. No território que ficava fora
dos muros da cidade observamos também uma evolução urbana com a definição
de lotes, ou pequenas chácaras, casas, praças, capelas, o hospício e os
diversos caminhos comunicantes. Entretanto conforme atestam os mapas
históricos e a observação das características atuais da cidade - bairro
histórico - apesar das destruições causadas pelas guerras e pelo tempo, o
traçado original da colônia ficou preservado.
Em 1777, quando da tomada final da
praça pelos castelhanos, Colônia do Sacramento contava com aproximadamente
2.000 habitantes. Hoje, mais de trezentos anos depois, a cidade de Colônia
conta com uma população menor que 25.000 habitantes. Este fato somado a
relatos históricos de semi-abandono da cidade nos anos seguintes a invasão
final espanhola, pode ser uma hipótese da falta de interesse dos
castelhanos pela cidade em si. O que os espanhóis realmente queriam era
expulsar os portugueses de seus territórios. Eles já tinham Montevidéu
deste mesmo lado do Rio da Prata e localizada num porto com melhores
condições de abrigo que o da Colônia. E tinham principalmente a Buenos
Aires do lado oposto a Sacramento, que após a conquista desta última passa
a concentrar o grande comércio platense. Com isso Buenos Aires inicia um
período ascendente de grande desenvolvimento se tornando a quarta sede do
Vice-reinado das Américas. A partir daí o desenvolvimento urbano da cidade
de Colônia pelos castelhanos se deu fora dos muros da cidade colonial.
Observando os mapas de Colônia, principalmente o mapa atual, imagino que
alguns fatos podem ter sido determinantes para isso: primeiro o modo de
pensar e fazer a cidade por parte dos espanhóis que era completamente
diferente da maneira lusitana, o que pode ter causado aos primeiros uma
dificuldade de adapta-se ao traçado existente da Colônia do Sacramento. Os
espanhóis elaboraram um novo traçado, retilíneo e nas partes mais planas
do território. Também não necessitavam mais das muralhas protetoras da
cidade fortificada, por isso construíram sua cidade fora destes limites.
Causou-me, pois, grande satisfação ao visitar Colônia o fato de que este
conjunto urbano esteja bastante preservado, embora parte dele se encontre
em ruínas. Isto, aliado à curiosidade de conhecer melhor seu processo de
evolução urbana me instiga a dar prosseguimento às hipóteses e conjecturas
lançadas acima e obter o material necessário para o aprofundamento da
pesquisa.
3.- Bibliografia:
MORRIS,
A.E.J.(1979) Historia de la forma urbana, desde sus orígenes hasta la
Revolución Industrial - Barcelona, Editorial Gustavo Gilli.
DELSON, R.M. (1979) Novas Vilas para o Brasil Colônia - Brasília, Editora
Alva Ltda.
LE GOFF, Jacques (1997) Por Amor às Cidades - ão Paulo, Editora UNESP
LYNCH, Kevin (1984) Good City form - The MIT Press
ROSSI, Aldo (1995) A Arquitetura da Cidade - São Paulo, Livraria Martins
Fontes Editora Ltda.
REVISTA Urbanismo de Origem Portuguesa, Nº 2 (2000) - As Formas Urbanas
das Cidades de Origem Portuguesa
In:
http://urban.iscte.pt/revista/numero2/default.htm - Arquivo
Virtual de Cartografia Urbana Portuguesa (Consultado: 03/09/05)
TOLEDO, Benedito Lima de (2000) A Ação dos Engenheiros Militares na
Ordenação do Espaço Urbano no Brasil
In:
http://urban.iscte.pt/revista/numero4/default.htm - Arquivo
Virtual de Cartografia Urbana Portuguesa (Consultado: 03/09/05)
UNESCO, World Heritage List - Sacramento - Nº 747 - In:
http://whc.unesco.org/en/list/747 (Consultado: 14/09/05)
PRADO, Fabrício Pereira (2003) - UFRS - Colônia do Sacramento: a situação
na fronteira platina no século XVIII (Consultado:
In:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71832003000100004
(Consultado: 03/09/05)
POSSAMAI, Paulo César (2004) - UFRN - A Fundação da Colônia do Sacramento,
In:
http://www.seol.com.br/mneme (30/08/05)
SILVA, Maria Beatriz Nizza da (S.A.) - USP, Soldados, Casais e Índios no
Povoamento da Nova Colônia
FERREIRA, Fábio - A Presença Luso-Brasileira na Região do Rio da Prata.
BENTO, Cláudio Moreira A Geopolítica de Portugal e Depois do Brasil no
Prata e suas Projeções no Rio Grande do Sul - 1680/1908
MILZ, Thomas (2004) Argentinai/Uruguai: A luta pelo Rio de la Plata -
Colônia del Sacramento, Uruguai In http://www.caiman.de/argentinien/rio_de_la_plata_3/rio_de_la_plataptdr.html
HISTORIA General de lãs Relaciones Exteriores de la República Argentina,
Lãs relaciones entre Espana y Portugual, desde la época de los
descubrimientos hasta las guerras napoleônicas, In:
http://www.argentina-rree.com/ (Consultado: 30/08/05)
RECONQUISTA y Defensa, Don Antonio de Vera y Mujica, In:
www.reconquistaydefensa.org.ar/personagens/nacionales/veraymujica.htm
COLONIA Del Sacramento - Guia Colônia - In:
www.guiacolonia.com.uy, (Consultado: 12/09/05)
A Cidade de Colônia do Sacramento é denominada de diversas formas.
Entre elas
encontramos: Colônia, Sacramento, Nova
Colônia, Nova Colônia do Sacramento, Nova Colônia do Santíssimo
Sacramento.
|
|
|