Capítulo I
A palavra
GENEALOGIA vem das palavras gregas:
GENEA =
geração e LOGIA = discurso.
A genealogia é,
dentre os ramos do saber, o que se refere às famílias,
estudando-lhes as origens, mostrando a sua evolução, descrevendo as
gerações e traçando, embora resumidamente, a biografia das pessoas
que as compõem.
Antigamente tinha a genealogia não somente a finalidade de
registrar as gerações, mas igualmente a de servir às habilitações de
“genere” dos que pretendiam entrar nas ordens religiosas e
militares, na magistratura, nos cargos do Tribunal do Santo Oficio,
e em quaisquer posições para as quais se exigisse a chamada “limpeza
de sangue”.
Hoje, destina-se a reconstituir o passado de cada grupo familiar,
retomar laços de parentesco e, sobretudo, revelar o processo de
formação social de uma região. Por isso se costuma dizer que a
genealogia deixou de ser uma ciência auxiliar da História para
tornar-se uma parte dessa própria Historia, tantos e tais os
elementos informativos com que trabalha.
Os trabalhos genealógicos feitos com o rigor e método exigidos
modernamente são complexos, por que utilizam elementos de variada
natureza. Mas você pode fazê-los.
Capítulo II
Pegue as certidões de nascimento de seus pais. Nelas você
encontrará as datas de nascimento e os locais de origem de cada um
deles, bem como os nomes de seus avós.
De posse de tais informações, escolha o ramo que você irá
pesquisar (paterno-paterno, paterno-materno, materno-paterno e
materno-materno). Ou seja, a família cuja trajetória você pretende
reconstituir e siga-a, sem se desviar do objetivo.
Capítulo III
O
passo seguinte é saber onde nasceu esse avô ou avó que você
escolheu. Caso não tenha a certidão de nascimento dele(a), procure
saber com alguém da família de onde aquele era natural e vá ao
Cartório do Registro Civil da localidade e, pelo nome completo e
data aproximada (entre uma geração e outra calcule 25 a 30 anos)
tente encontrar o respectivo registro.
Mas lembre-se: esse caminho só vale para nascimentos após 1891,
pois antes dessa data os Cartórios do Registro Civil eram pouco
utilizados para tal fim. Se esse seu avô ou avó nasceu, bem antes
daquele ano, há que procurar na igreja onde aquele(a) foi batizado.
Ou na sede do respectivo bispado.
Capítulo IV
Certidões de casamento e óbito, escritura de terras, testamentos
e inventários, passaportes, retratos e cartas de família também
podem ser úteis. Examinando-os, muita informação pode ser
encontrada. E, como elas as coleções de artigos de jornais de sua
cidade e os almanaques históricos e comerciais da região.
Examine, pois, esse material com atenção e, se tiver sorte de
encontrar alguma pista, siga-a.
Capítulo V
O depoimento dos mais velhos, (Avós, tios e primos) também é
útil. Muitas vezes eles sabem de nomes, parentescos e acontecimentos
da vida da família. Há sempre alguém em toda família, que é mais
ligado à história dos seus. Procure-o. Puxe por ele e anote.
Sobretudo isto – anote, para não se ver depois, traído(a) pela
memória.
Capítulo VI
Se o avô ou bisavô que você procura teve determinada profissão,
há possibilidade de encontrar algo nos respectivos órgãos de classe
(exemplo: Junta de Comercio, se comerciante; Repartições Publicas e
Ministérios Militares, na hipótese de ter sido funcionário civil ou
militar, etc.) Igual sindicância pode ser feita nas secretarias das
escolas e faculdades. Os livros de matriculas trazem filiação,
nascimento e colação de grau.
Irmandades religiosas e Santas Casas de Misericórdia também valem
uma visita, se seu avô ou bisavô dói irmão ou benfeitor. E o
cemitério local também. Isto mesmo, o cemitério, pois lá estão os
livros de enterramento e as certidões de óbito, onde pode estar a
informação de que você precisa.
Mas se seu avô ou bisavô eram estrangeiros, o caminho mais
prático para localizar dados sobre eles é o Arquivo Nacional, pois
lá estão os processos de entrada no país na época do Império e se a
chegada daqueles foi posterior, há que procurar o Ministério da
Justiça.
Capítulo VII
Existe, ainda, um outro recurso que costuma ajudar. Escreva uma
carta àqueles que você sabe serem seus parentes distantes e
peça-lhes as informações que lhe faltam para estabelecer o
parentesco. Carta simples, do tipo circular, em que explique o
objetivo de sua pesquisa e peça didaticamente o que lhe interessa
(exemplo: os nomes dos pais, avós, bisavós, ou da mulher, filhos e
irmãos, ou as datas e locais de nascimento, casamento e óbito ou as
respectivas profissões). Mas lembre-se: quanto aos nomes femininos,
peça sempre os de solteiro.
Se a família tem um sobrenome pouco comum, ou por ser estrangeiro
ou por ter um sobrenome composto (exemplo: Cardoso Fontes, Mata
Machado, etc.), dê uma busca no catálogo telefônico de sua cidade e
dos locais para onde conste terem ido alguns parentes e despache a
sua carta. A tentativa costuma dar resultados.
Capítulo VIII
Genealogia é pesquisa e paciência. Não queira dar saltos. Comece
do zero e vá em frente. Passo a passo. Não se preocupe em chegar a
Adão. Três ou quatro gerações já são alguma coisa. É pouco? Talvez,
mas há gente que nem isso consegue. E vá anotando tudo num caderno
ou em fichas. Uma folha ou ficha para cada um: nome, filiação,
datas de nascimento, casamento e óbito, os locais respectivos,
profissão, nome do cônjuge (de solteira, se mulher) e a respectiva
filiação (veja
Anexo I). Cada filho casado, por
sua vez, gera um novo registro, onde você colocará os dados que a
ele concernirem e assim sucessivamente.
Capítulo IX
E quando você quiser transformar essas anotações ou filhas num
texto corrido?
É fácil: partindo do ancestral mais antigo, numere as gerações
em romano (I II, III, etc.) e a prole de cada um em arábico, sempre
na ordem de nascimento respectivo (I.1, I.2, I.3, II.1, II.2, II.3,
etc.) como no Anexo I e coloque os dados de cada um. Não se esqueça
de incluir os que morreram criança ou sem descendência.
Parece difícil, mas não é. Repare no Anexo I: as colunas de
algarismos romanos começam sempre à esquerda da página e, na medida
em que as gerações se sucedem, avançam para a direita, sempre
seguidas do algarismo arábico que indica a ordem de filiação. Os
filhos sejam quantos forem, estarão sempre na coluna I, os netos na
coluna II, os bisnetos na III e assim por diante. E cada uma dessas
colunas começa sempre numa linha vertical imaginária que você pode
traçar do primogênito ao caçula em cada uma daquelas gerações. Numa
árvore descendente, como é a de que estamos tratando cabem todos: o
bisavô, o filho ou filha de que você descende (seus avós), os irmãos
deste(a) (seus tios-avós) e as respectivas proles, seu pai (ou mãe)
e os irmãos dele(a), você e seus irmãos, cunhados e sobrinhos.
Capítulo X
Do bisavô para cima, se a família é originária do lugar onde
ainda hoje vive, convém consultar alguém que conheça a história do
local, pois ele poderá ajudá-lo(a) com mais alguma informação. Caso
a família seja de outro Estado, procure informar-se acerca da
existência de algum genealogista ou instituição genealógica na
região.
Capítulo XI
Mas, há também um outro tipo de árvore genealógica. São as
chamadas “árvore de costado” ou ascendentes. Nelas você parte do seu
nome e vai subindo. Mas nesse tipo de árvore não cabem os
colaterais, só você, seus pais, avós, bisavós, trisavôs, etc. Ou
seja, geração em linha direta, sem os irmãos, tios, tios-avós e
primos. É sem duvida mais simples, mas não cobre toda a família. Só
a sua linha. Você também pode fazê-la.
Capítulo XII
Um ultimo lembrete: genealogia, hoje, não é simples sucessão de
nomes e datas. É a história da família a partir de cada um dos seus
membros e de suas relações de parentesco. Não deixe de anotar,
assim, tudo o que você encontrar de histórias, fatos, tradições e
costumes dos seus. Quanto mais vida melhor. Afinal, esses nomes que
resgatamos da noite dos tempos não devem voltar ao nosso convívio
como almas mortas, mas como figuras que fazem parte da história de
cada um de nós.
E se você encontrar retratos, salve-os. Eles valem por uma
biografia, pois têm tudo para revelar a personalidade do retratado.
Sua aparência física, seus traços de família, sua idade, seu
ambiente, seu modo de ser. Uma genealogia ilustrada vale por duas. E
dá aos céticos a certeza de você não estar falando de fantasmas.
Capítulo XIII
Não desanime, pois, cada descoberta é uma conquista e cada
conquista um novo desafio. E como um pouco de sorte e muita
persistência você acabará conseguindo seu intento. Vá em frente, que
vale a pena tentar.
Nota à 2ª Edição
A benévola acolhida com que estas paginas foram recebidas,
tanto pelos genealogistas como pelo publico a que se dirigem,
levou-me a dar-lhes uma 2ª edição. Escritas com a simplicidade
requerida por sua finalidade didática, nem por isto deixaram de
cumprir o papel a que se destinam: o de ajudar os interessados no
conhecimento e na técnica desse tipo de pesquisa.
Possa esta nova edição continuar a servir a tal objetivo
O autor
LOCAIS PARA PESQUISAR
-
Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul
-
Arquivo Público
-
Cúria Metropolitana
-
Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul
-
Instituto Genealógico do Rio Grande do Sul